Por Dr. Rodrigo Naves (Cirurgião do Aparelho Digestivo e Bariátrico) e Dra. Gisele Manfrin (Nutricionista) – BellaDore Centro Clínico, Sinop – MT
Quem já tentou emagrecer sabe o quanto o caminho pode ser longo. Dietas, exercícios, medicamentos, e muitas vezes o peso volta. Para uma parcela significativa de pessoas, esse ciclo não é falta de força de vontade. É sinal de que o organismo está enfrentando algo mais complexo: a obesidade grave.
A cirurgia bariátrica existe para tratar essa condição. Mas ela não é, e nunca foi, um atalho. É uma das ferramentas mais eficazes disponíveis na medicina atual para o controle da obesidade, desde que combinada com acompanhamento adequado antes, durante e por toda a vida depois do procedimento.
Neste artigo, dois profissionais da BellaDore Centro Clínico, em Sinop (MT), respondem às principais dúvidas sobre o tema: o Dr. Rodrigo Naves, cirurgião do aparelho digestivo e bariátrico, e a Dra. Gisele Manfrin, nutricionista com foco em pacientes bariátricos. Áreas diferentes, mas um objetivo em comum: ajudar o paciente a viver mais e com mais qualidade de vida.
Obesidade: uma doença, não um estilo de vida
Um dos maiores equívocos em torno da obesidade grave é tratá-la como uma questão de escolha. O Dr. Rodrigo Naves é direto sobre isso:
“A obesidade é uma doença. Com CID, código internacional de doença. Não é um biótipo, não é falta de disciplina. É uma doença metabólica grave, sem cura e progressiva. O peso vai aumentando, outras doenças aparecem junto, e a capacidade de agir por conta própria vai diminuindo.” Dr. Rodrigo Naves, Cirurgião Bariátrico
Essa compreensão muda tudo. Quando o paciente entende que está diante de uma doença, e não de um defeito de caráter, a decisão pelo tratamento deixa de ser sobre vaidade e passa a ser sobre saúde.
Segundo o Dr. Rodrigo, pessoas com obesidade grave vivem, em média, 15 anos a menos do que pessoas sem a condição, além de terem qualidade de vida significativamente reduzida. O tratamento, portanto, não é estético. É uma intervenção médica necessária.
Quando a cirurgia bariátrica é indicada?
Não basta querer emagrecer para ter indicação cirúrgica. Existem critérios clínicos bem definidos. O Dr. Rodrigo explica as situações mais comuns:
• IMC acima de 40 (Obesidade Grau III): independentemente de outras doenças associadas
• IMC entre 35 e 40 (Obesidade Grau II): quando associado a comorbidades como hipertensão, esteatose hepática ou colesterol alto
• Obesidade Grau I com Diabetes Mellitus tipo 2 de difícil controle clínico
Além dos critérios de IMC, um pré-requisito fundamental é a falha de tratamento clínico anterior. Dieta, atividade física, medicação, se o paciente já tentou e não obteve resultado sustentável, a cirurgia passa a ser uma opção legítima e necessária.
A cirurgia não é o caminho mais curto, é o mais longo
Uma das primeiras coisas que o Dr. Rodrigo esclarece para seus pacientes na primeira consulta é algo que contraria a expectativa de muitos:
“A cirurgia bariátrica é o caminho mais longo. Ela exige que o paciente tome uma decisão diariamente: se cuidar, se tratar. Para sempre. Com vitaminas, acompanhamento, alimentação correta. Quem entende isso de verdade, tem resultados reais.”
Dr. Rodrigo Naves
Isso significa que, antes mesmo de marcar uma data para a operação, o paciente passa por uma avaliação criteriosa, clínica, metabólica, nutricional e psicológica. A decisão pela cirurgia precisa ser uma decisão consciente, madura e comprometida com uma mudança definitiva de estilo de vida.
Para o cirurgião, o processo só faz sentido quando o paciente entende a obesidade como uma doença a ser tratada, não como um problema estético a ser corrigido.
O que o nutricionista faz antes da cirurgia?
Muito se fala sobre o pós-operatório, mas o pré-operatório nutricional é igualmente crítico. Dra. Gisele Manfrin explica o que acontece nessa fase e por que ela é frequentemente subestimada:
“Fazemos uma avaliação física completa com análise da composição corporal. Investigamos vitaminas, minerais e hábitos alimentares. E recomendamos que o paciente perca entre 5% e 10% do peso antes de operar, para reduzir riscos cirúrgicos e já começar a se integrar ao tratamento. Mas infelizmente, a maioria quer operar logo e não adere a essa etapa.” Dra. Gisele Manfrin, Nutricionista
Essa avaliação inicial vai além do peso. Pacientes com obesidade podem apresentar deficiências nutricionais importantes mesmo antes da cirurgia e corrigi-las antes do procedimento é parte essencial da preparação. O Dr. Rodrigo confirma essa visão:
“Há pacientes que chegam com status nutricional ruim mesmo sendo obesos. Podem precisar de suplementação proteica específica antes de entrar em centro cirúrgico. Esse alinhamento é fundamental.” Dr. Rodrigo Naves
O pós-operatório: quando recomeça tudo
Se o pré-operatório é a preparação, o pós-operatório é onde o trabalho real começa. Dra. Gisele descreve o processo com uma imagem bastante precisa:
“É como ser bebê novamente. O paciente precisa reaprender a comer, desde a quantidade de comida que coloca na boca, a mastigação, o tempo de cada refeição. Existem quatro fases: dieta líquida, pastosa, branda e reeducação alimentar. Cada uma tem suas dificuldades. Cada paciente reage diferente.” Dra. Gisele Manfrin
O acompanhamento com a nutricionista é mensal até que o paciente atinja as metas estabelecidas. Depois disso, o intervalo aumenta, mas o cuidado não termina.
O que acontece quando esse acompanhamento não existe? Dra. Gisele é clara:
“A maioria dos casos que atendo por falta de suporte nutricional são reganho de peso. Mas também vejo deficiências nutricionais graves como anemia; disbiose intestinal severa; e com desnutrição/sarcopenia. O paciente que perde gordura sem suporte acaba perdendo massa muscular junto, o que é muito prejudicial.” Dra. Gisele Manfrin
Comorbidades: quando a cirurgia vai além do peso
Um dos aspectos mais impactantes da cirurgia bariátrica (e menos falados) é o efeito sobre outras doenças. O Dr. Rodrigo lista as mais comuns:
• Hipertensão arterial (pressão alta)
• Diabetes mellitus tipo 2
• Esteatose hepática (gordura no fígado)
• Dislipidemias (colesterol alto)
• Risco cardiovascular (chance de infarto e AVC)
• Apneia do sono
• Alterações hormonais e fertilidade feminina
Para muitos pacientes, o resultado mais significativo da cirurgia não é a balança, é reduzir ou eliminar o uso de medicamentos para doenças crônicas que antes pareciam permanentes.
Por que ter os dois profissionais no mesmo espaço faz diferença?
Na BellaDore, o Dr. Rodrigo Naves e a Dra. Gisele Manfrin atendem no mesmo ambiente. Isso não é um detalhe operacional, é um diferencial clínico.
Gisele explica como enxerga essa integração:
“Eu costumo sempre estar em contato com os cirurgiões para tirar dúvidas ou informar sobre algum problema do paciente. Quando a equipe está em sintonia, o paciente percebe e adere melhor ao tratamento.” Dra. Gisele Manfrin
O Dr. Rodrigo complementa:
“A unidade da equipe faz toda a diferença no preparo e na instrução do paciente. A integração cirúrgico-nutricional traz clareza sobre cada etapa do processo, alinha expectativas com a realidade e ajuda o paciente a vencer a insegurança.” Dr. Rodrigo Naves
O cuidado acontece de forma integrada, dentro do mesmo espaço, com os dois profissionais a par da mesma história clínica.
Isso não é obrigação, o paciente pode ter outros profissionais de sua preferência. Mas quando a troca acontece dentro da mesma clínica, o processo fica mais seguro, mais ágil e mais humano.
A cirurgia resolve o problema do peso definitivamente?
Essa é, talvez, a pergunta mais importante e a mais mal respondida no senso comum. A Dra. Gisele não tem dúvidas:
“Somente a cirurgia, não resolve. Ela é uma ferramenta muito eficaz para controle da fome e da quantidade ingerida. Mas somente junto com mudanças no estilo de vida (dieta saudável, atividade física e manejo do estresse e ansiedade) é possível ter um emagrecimento consistente e controle da obesidade para o resto da vida.” Dra. Gisele Manfrin
O Dr. Rodrigo reforça a mesma ideia com uma perspectiva clínica:
“A cirurgia ajuda a eliminar mais peso do que qualquer outro tratamento e a manter esse peso por mais tempo. Isso cria a janela de oportunidade para o paciente reorganizar a vida, os hábitos, a rotina. Mas o compromisso com o autocuidado é para sempre.” Dr. Rodrigo Naves
O que fica
A cirurgia bariátrica é um dos recursos mais poderosos disponíveis na medicina para o tratamento da obesidade grave. Mas ela exige algo que nenhum bisturi consegue garantir sozinho: comprometimento.
Comprometimento com o acompanhamento. Com a alimentação. Com os exames. Com o autocuidado diário. Por isso, não é sobre qual profissional é mais importante, o cirurgião ou o nutricionista. É sobre como os dois trabalham juntos para que o paciente chegue, e se mantenha, no melhor estado de saúde possível.
Na BellaDore, essa integração já existe. E para quem está considerando a cirurgia bariátrica, saber que os dois lados dessa equação estão no mesmo espaço, conversando, trocando informações, alinhados no cuidado, pode ser exatamente o que falta para dar o próximo passo.
Perguntas frequentes sobre cirurgia bariátrica
Quem pode fazer cirurgia bariátrica?
Pessoas com IMC acima de 40, ou com IMC entre 35 e 40 associado a comorbidades como hipertensão ou diabetes, após falha de tratamento clínico convencional. Casos específicos de Diabetes tipo 2 com IMC menor também podem ter indicação.
A cirurgia bariátrica tem riscos?
Como qualquer procedimento cirúrgico, sim. Por isso o pré-operatório é tão importante: avaliação clínica, metabólica, nutricional e psicológica reduzem significativamente os riscos e aumentam a chance de sucesso.
Quanto tempo dura o acompanhamento após a cirurgia?
O acompanhamento é para a vida toda. Nos primeiros meses, as consultas são mais frequentes (mensais com a nutricionista, regulares com o cirurgião). Com o tempo, o intervalo aumenta — mas o vínculo com a equipe não termina.
Preciso de nutricionista antes de fazer a cirurgia bariátrica?
Sim. O acompanhamento nutricional pré-operatório é parte do protocolo. O nutricionista avalia a composição corporal, identifica deficiências, corrige o estado nutricional e prepara o paciente para as mudanças alimentares que virão após o procedimento.
É possível fazer cirurgia bariátrica em Sinop?
Sim. A BellaDore Centro Clínico, em Sinop (MT), conta com Dr. Rodrigo Naves, cirurgião do aparelho digestivo e bariátrico, e com Gisele Manfrin, nutricionista especializada no acompanhamento de pacientes bariátricos.
Quer saber se a cirurgia bariátrica é uma opção para você?
Agende uma consulta com o Dr. Rodrigo Naves na BellaDore e entenda qual é o melhor caminho para o seu caso.
📱 (66) 99725-7075 | belladore.com.br